quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Delírio

 
Por vezes, acho-te tão inepto que dou por mim a abalroar-te até me suplicares que pare.
Pena ser, tudo isto, mero delírio. Se eu pudesse esquecer, por um minuto apenas, a minha racionalidade e o meu bom senso! Nos segundos próximos, não serias mais que nada. Pouco depois, olho para ti e dou por mim a sorrir por dentro. Apercebo-me o quanto estúpida também eu sou, tudo por não saber odiar-te.
Não tarda, sei que irás chegar para mim, e dizer-me algo parvo. Tentarei manter um ar sério carregado com uma aura de orgulho, mas voltarás a fazer mais uma investida, e não resistirei. E todo o meu rosto abrir-se-á num sorriso. E tudo o que irá ficar, mais uma vez é…


- Arranja-me uma moeda para um cigarrinho? - perguntou a rapariga que deambulava pelo cais.
- Ela disse para um cigarro?! Mas por que carga de água ela me pede uma moeda para um cigarro, quando sabe perfeitamente que detesto tabaco?!E não só, é dinheiro para tabaco, ou será que ela quis dizer para uma sandes? Se assim for dou-lhe com todo prazer. Não, ela quis mesmo dizer tabaco. Não seria melhor pedir-me uma nota para comprar uma arma? E dar logo um tiro na cabeça por exemplo?! Prático, eficaz e eficiente. Afinal, se fuma é porque gosta de suicidar-se lentamente. Como é possível sentir prazer nisso?

Katya Figueiredo
 
 
 

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