quinta-feira, 27 de março de 2014

E Tudo no Silêncio Ficou


Depois de mais uma viagem de trabalho, Ana resolveu surpreender o namorado.

Uma hora depois, um táxi parou à porta do prédio de Rodrigo. Ana pagou ao taxista e disse-lhe que guardasse o troco. Ele agradeceu sorrindo sem nunca desviar os olhos dela. 

Ela era bonita, alta, cabelos pretos e de uns belos olhos verdes rasgados. Rapidamente apeou-se do táxi desembaraçando-se com agilidade da mala de viagem e da de mão. Entrou pela parte traseira do prédio e correu para o hall do elevador. Acionou o botão, e enquanto esperava desfez-se dos sapatos e trocou-os por uns de salto agulha pretos. O elevador chegou, fechou a mala e meteu-se no pequeno compartimento, aos tropeções. Voltou a largar às malas e habilmente puxou a saia bem acima do joelho e dobrou-a na cintura. Libertou-se da camisa que tinha presa à saia e deixou-a cair de forma a cobrir a cintura. Desapertou o colarinho e mais três botões abaixo deixando o peito, farto, em evidência. Reparou no elegante carrapito que tinha no alto da cabeça e desmanchou-o, fazendo com que a abundante mecha de longos cabelos negros caísse sobre as suas costas. Não tendo um batom à mão, um chupa-chupa tomou o lugar deste de maneira que seus lábios esculturais logo se tornaram vermelhos e deliciosos. 

Não tardou o elevador chegou ao quinto andar. Ana apresentava-se bastante sensual. Uma vez porta aberta, saiu com a bagagem meio em bico de pés para não despertar a atenção do namorado. Abriu ligeiramente a porta de casa e espiou o seu interior. Nada se ouviu, avançou um tanto divertida outro nervoso com receio de ser apanhada em flagrante. Não o vendo na sala, nem na cozinha dirigiu-se ao quarto aonde ele dormia profundamente. Abandonou as malas no corredor, fez um último retoque geral ao visual e adoptou um andar sensual e confiante até ao quarto e, gritou:

--Surpresa.

Numa fracção de segundos, que pareciam minutos em câmara lenta, o namorado meio em alerta meio em vigília saltou da cama num impulso batendo no vaso por cima da banca de cabeceira. Este rolou uma e duas vezes até colidir com o chão e desfazer-se em mil pedaços verde menta. Rodrigo com auxílio dum braço amorteceu o impacto do seu corpo sobre o soalho caindo heroicamente. Num ápice abriu a gaveta da banca e de lá ostentou uma pistola que disparou um tiro certeiro no peito de Ana, que tombou suave, ainda mais linda, no chão. Sorria, sem perceber direito o que lhe acontecera.

Rodrigo meio atordoado correu para junto do corpo e rapidamente se deu conta da desgraça que suas mãos, agora trêmulas, haviam conquistado. Por mais alto que tentasse gritar pela amada, era escusado. A sua voz se perdia ainda no interior da garganta, teimando de lá jamais desabitar.

Nunca o silêncio contara tanta história num só momento. Aquele corpo tombado no chão deixara de ter vida. Nada mais nele se fazia ouvir. O coração passara a ser apenas um músculo presente numa vida ausente. Só o sangue se movia, mas não no seu ciclo natural. Algo se rompera e deixara-o sair para perecer num mundo, que de nada lhe servia com ele travar conhecimento.

Deitou-se no peito silencioso da namorada e toda uma década passara diante de seus olhos, agora brilhantes.

Katya Figueiredo






quinta-feira, 6 de março de 2014

Sweet Weekend

Revista feminina,boa música( Elliot Smith, Ours, Jeff Buckley, Metallica),chocolate e Mário Puzo.A combinação perfeita para um fim- de- semana em grande.
Se gosta de histórias sobre a máfia aventure-se em o Padrinho, Mário Puzo.
Bom fim- de- semana.
Katya Figueiredo