terça-feira, 29 de abril de 2014

Devaneio

Depois de dois dias de árduo trabalho cinematográfico nada melhor que retornar à escrita criativa, ao som dos Ours, com o tema Dizzy.
Esta música transporta-me para recônditos atalhos da criatividade. A título de que ordem não to sei dizer.
Bom dia e bom trabalho.
Thank you Jimmy Gnecco

quinta-feira, 24 de abril de 2014

E Tudo o Mendigo Levou




“Estava a tomar café em pé quando viu passar, na calçada a rapariga que começara a namorar na véspera. Largou a chávena, largou tudo e atirou-se no seu encalço, quase como um maluco. Tropeça num cavalheiro, esbarra numa senhora, e vai alcançar a rapariga pouco adiante. Caminha lado a lado e faz a alegre pergunta":

---Como vai o meu lindo amor?”

Continuação…

---Linda sou de certeza, mas teu amor?! Faça-me o favor.---Respondeu ela com uma expressão de desprezo.

João sem saber o que dizer muito menos o que pensar, limitou-se a contemplá-la boquiaberto.

---Sais-me da frente se faz favor?

A rapariga agarra na mão do rapaz, que acabara de chegar, e saem dali, para fora.

João leva a mão ao cabelo e mantém-se estático durante alguns minutos.

O mendigo sentado na calçada observa e diverte-se com toda àquela cena.

---Faz-te homem e corre atrás do teu lindo amor, pá.

João olha para cima dos ombros e vê o mendigo a rir enquanto devora uma sandes. Caminha até ele e senta-se a seu lado. Este dá-lhe uma palmadinha nas costas e oferece-lhe a outra sandes de queijo, que tinha guardada.

João agradece, mas recusa, pois tomara o café da manhã pouco antes.

---Achas mesmo que deveria ter ido atrás dela?

---Sabes, daqui do meu canto estive à avaliar a mercadoria e parece ser de qualidade. Porém, meu caro amigo, nem todo ouro brilha por baixo dos lençóis.

---Sábias palavras, meu caro amigo, sábias palavras.---Disse ele dando-lhe palmadas nas costas.

Levantou-se, tirou uma nota de dez euros do bolso e deu-lhe.

---Fica bem, meu caro amigo.

---Vai espairecer, meu caro amigo. Pode ser que nesse curto trajecto encontres um novo lindo amor.— Disse rindo.

João acenou, pós as mãos nos bolsos e desceu a rua a dançar, mas com o coração desfeito.

Nos dias que se seguiram, Maria andou desvairadamente em busca de João para se explicar. Essas tentativas não tiveram o resultado esperado, ele não a queria ver de maneira nenhuma. Ligou-lhe bastas vezes, mas este nunca atendeu o telemóvel. No entanto, não desistiu e começou a mandar-lhe mensagens todos os dia, certa de que o reconquistaria.

As mensagens logo se tornaram uma necessidade. Maria estava obviamente apaixonada por João. Havia dias que chorava de saudades no seu travesseiro rezando que chegasse logo o dia seguinte para enviar a próxima mensagem. Este hábito, para ela, tornou-se a melhor hora do dia.

Chegou o Natal e decidiu surpreendê-lo. Vestiu uma lingerie vermelha tirou uma foto e enviou-a como prenda de Natal. No Ano Novo voltou a vestir uma lingerie, desta vez azul, e enviou-a. No dia dos namorados mais uma vez vestiu uma lingerie, agora rosa, e enviou-a.

Um mês depois, andava na Fnac a fazer tempo enquanto esperava uma amiga que se atrasara e, resolveu mandar uma segunda mensagem nesse dia.

Amo-te.

Como todas outras vezes não estava à espera que ele lhe respondesse. Quando percebeu que era uma mensagem dele os olhos brilharam-se-lhe.Com o coração a bater respirou fundo antes de a ler.

Deve haver algum engano. Desde que comprei este telemóvel recebo mensagens deste número. Agradecia que confirmasse o destinatário.

Ao ler desconcertante mensagem quase teve um ataque. Recompôs-se, voltou a respirar fundo e começou a pensar com alguma clareza até que por fim decidiu responder a mensagem.

Não, não. É este o número. Há quanto tempo foi isso?

Então não sei. Agradecia que parasse de me enviar mensagem.

Maria deixou cair o livro que tinha nas mãos, saiu correndo, chegou à casa fechou-se no quarto e chorou o dia todo.

Num lindo dia de sol, Maria passa pela rua que evitara nos últimos tempos porque lhe traziam más recordações, sentou no café com a amiga e pediu um chocolate quente. De repente, olha para frente e vê João passar. Abandona a amiga, sai esbaforida, atropela o empregado fazendo com que este levasse o tabuleiro ao chão, esbarra numa criança, pede desculpa, mas prossegue o seu caminho.

---Como vai o meu lindo sacana?!

---Óptimo. E como vai a minha linda rameira?

---Como te atreves a expor-me dessa maneira. Dizias tu gostar de mim.

---Desculpa?!---inquiriu o João irritado.

---Mandei-te mensagens este tempo todo para depois ficar a saber que supostamente não era o teu número.

---Tive de mudar de número desde a última vez que te vi. Perdi o telemóvel.

---E eu feito parva continuei a mandar-te mensagens.

---Depois do que aconteceu não achei necessário dar-te o meu novo número.

O mendigo que mais uma vez observava a cena levantou-se e foi ter com eles.

---Olá, meu caro amigo.

---Olá. Já falo consigo agora tenho de aturar esta rameira.---Troçou.

---É importante. Tenho aqui o teu telemóvel. Deixaste-o cair no outro dia. Lembras-te?---disse-lhe dando uma palmada nas costas.---Maria meu lindo amor---,disse deliciado olhando para Maria--- que bela mercadoria---continuou piscando o olho ao João, que retribuiu sorrindo com cumplicidade.

Esta, com o rosto ruborizado de vergonha desejando que o chão se abrisse e nele se pudesse esconder, mal podia acreditar que realmente tivera exposto toda sua intimidade a um estranho.

Fim
Katya Figueiredo

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Museo Nazionale del Cinema (Parte 3)

A cidade vista de cima



Topo da torre

Elevador/Interior do museu

Mesas do café/restaurante



Loja do museu

 
Foto by Katya Figueiredo
To be continued...

sábado, 19 de abril de 2014

Museo Nazionale del Cinema,Turim



 

Museu Nacional de Cinema

A minha escrita além de literária passa também pela linguagem pictórica, isto é, a escrita usada no cinema. Sendo assim, aquando da minha viagem para Turim, o Museu de Cinema, evidentemente, constava na minha enorme lista dos lugares a serem visitados.


É bem visível, ainda há vários metros de distância do local, a torre que se encontra no centro do edifício  Mole Antonelliana que alberga o museu. Quando lá cheguei, deparei-me com um enorme edifício de estilo barroco, com imagens de actores e de grandes feitos do cinema ornamentadas nas paredes do exterior.

O seu interior é incontestavelmente fantástico. Não só pude desfrutar do museu em si como também apreciar e adquirir variados objectos de cinema na loja do museu. Obviamente não deixei de me aventurar em subir de elevador até ao top da torre. Primeiramente estranha-se, depois entranha-se e mais uma vez, através do elevador envidraçado, pude observar o museu à medida que este ia subindo. Do topo pode-se ter uma imagem admirável da cidade de quatro pontos.

Decorrido um longo tempo, que ainda assim me pareceu insuficiente, porém já o estômago flagela-me a mente e tive mesmo de me render, ir ao restaurante e degustar uma refeição italiana. As bases das mesas são ecrãs embutidos onde assisti um filme enquanto comia.

Há ainda uma outra sala no meio do museu com cadeiras vermelhas em forma de chaise long bastante confortáveis, nelas me deitei ociosamente e, assisti um filme na enorme tela exposta nessa mesma sala.

Para ultimar, um lugar, sem dúvida, que vale a pena visitar.
Katya Figueiredo
 







 

 


 


To be continued...
Foto by Katya Figueiredo
 
 
 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Seduzida por Proust


Ao contrário do que se pensa, ler Proust até é uva doce. Apesar de ser uma obra dificílima é,também bastante interessante. Paciência, persistência e gosto pela leitura são as palavras- chave para ler O Lado de Guermantes de Marcel Proust. Espero em breve ter tempo para os outros seis;)

Katya Figueiredo

terça-feira, 15 de abril de 2014

Questionário de Proust

À conversa com Proust
 
 
 
 
 

1-Qual é a sua maior qualidade?
Ser independente.

2- E o seu maior defeito?

Preguiça

3- A coisa mais importante em um homem?

O carácter, sentido de humor (é preciso que me faça rir, adoro rir),inteligência e o cavalheirismo (sou uma romântica assumida). (Risos)

4- E em uma mulher?

Ter amor- próprio, sensibilidade, ser uma lutadora e saber fazer uso da inteligência que tem.

5- O que você mais aprecia nos seus amigos?

A capacidade de superar o tempo e ultrapassar todos os obstáculos que se opõem numa amizade. Os meus melhores amigos conheço-os há mais de trinta anos. Nem a guerra, a distância entre o continente europeu e o africano e as nossas vidas individuais conseguiram derrubar essa amizade. Isso é fantástico.

6- A sua actividade favorita é…

Escrever.

7- Qual a sua ideia de felicidade?

É viver, não se deixar ficar pelo “Existir” simplesmente.

8- E o que seria a maior das tragédias?

Perder a força de viver, amar alguém a ponto de perder a identidade e deixar de ter os pés assentes na terra.

9- Quem você gostaria de ser, se não fosse você mesmo?

Ninguém.

10- E onde gostaria de viver?

Um pouco em todo mundo.

11. Qual sua cor favorita?

Azul e preto.

12- Uma flor?

Rosa

13- Um pássaro?

Todos os pássaros desde que me deixassem em liberdade.

14. Seus autores preferidos?

Chuck Palahniuk, Mário Puzo e Eça de Queirós. Apenas os três primeiros, a lista é interminável.

15. Os poetas que mais gosta?

Florbela Espanca, Safo e o Bocage.

16. Quem são os seus heróis de ficção?

Angelina Jolie e Brad Pitt.

17. E as heroínas na ficção?

Halle Barry e a Gata Borralheira.

18. Seu compositor favorito é…

Michael Jackson, Mozart, Beethoven, Kurt Cobain, Antonio Vivaldi.

19. E os pintores que você mais curte?

Leonardo da Vinci, Frida Kahlo, Alex-Keller.

20. Quem são as suas heroínas na vida real?

A minha mãe. Ela é uma actriz. Consegue desempenhar bem todos os papéis que a vida lhe oferece. Ela é a mulher, o homem, a amante, o polícia, o tropa, o chato, (risos) uma faz tudo. Nem todas as mulheres têm essa capacidade. Depois seguem-se outras. Felizmente a minha vida está repleta de grandes mulheres.

21- E quem são os seus heróis?

Primeiro o meu pai, um herói sacrificado que acreditou e lutou por Angola, um país que adoro e considero muito belo, porém muito ingrato também. Ele, o meu pai, ensinou-me a gostar de literatura. Depois junto todos os homens da minha família que são grandes heróis, literalmente.

22. Qual a sua palavra favorita?

Sublime.

23. O que você mais detesta?

Que me chateiem quando estou a escrever, que o telefone não pare de tocar. É por uma questão financeira, se tivesse dinheiro para comprar todos dias um telemóvel novo já muitos teriam ido parar contra a parede. A falta de humildade também é algo que não suporto.

24. Quais são os personagens históricos que você mais despreza?

Nenhum. Todos eles me ensinaram a olhar para o mundo de modo diferente. Cabe a mim seguir ou aprender com os erros deles.

25. Quais dons naturais você gostaria de possuir?

Ser uma perita na arte de escrever e dominar várias línguas.

26- Como você gostaria de morrer?

Escrevendo e rindo.

27. Qual seu atual estado de espírito?

Livre.

28. Que defeito é mais fácil perdoar?

O desamor, a ignorância.

29. Qual é o lema da sua vida?

Viver a vida intensamente.

Katya Figueiredo

sexta-feira, 11 de abril de 2014

My number one (Chuck Palahniuk)



Este escritor é duma imaginação assombrosa, uma linguagem inadiável e intensa. Parece saber fazer uso de todos os poderes alquimistas da escrita de modo a centralizar um mundo que reflecte o hoje e agora. As frases vibram em nossa mente como música com ritmos repetitivos, que não cansam, antes ficam-nos estimuladas na consciência.

Através da sua escrita bastante peculiar grita a voz, que não tem, de uma geração inquieta.

Poderia ser num único livro, no entanto, foram cinco que me embruxaram o coração. Sendo assim, nomeio Chuck Palahniuk, na minha biblioteca mental, o meu primeiro maior escritor.

Em Monstros Invisíveis, o autor narra a história de uma modelo que parece ter tudo até que num acidente, que a deixa desfigurada, de mulher bela e desejada passa a ser vista como monstro.

Este romance é, decididamente hilariante.

Tenha um bom fim-de-semana.

Katya Figueiredo

domingo, 6 de abril de 2014

As Cinquenta Sombras de Desilusão

 
 


Por estar muito bem estruturado foi-me recomendado ler as Cinquenta Sombras de Gray, por isso, no mês passado fui alegremente comprar o livro. Depois de ter lido vinte e cinco páginas já me queria suicidar. No entanto fiz um esforço, tentei pensar em como a vida é bela e maravilhosa e prossegui a leitura por mais algumas páginas. Não tardou para perceber que nem mesmo o doce da vida me iria livrar do suicídio. Antes que a depressão tomasse conta de mim abandonei o livro num canto da enorme estante, que tenho no meu atelier.

Depois de ler escritores como Marcel Proust, Camus, Sartre e por aí adiante tive uma enorme dificuldade em me afeiçoar à escrita de E.J. James. Em termos de escrita, além de não ser nada de especial é bastante coloquial, logo, passando para uma linguagem mais vulgar; não me aqueceu nem arrefeceu. Quanto as partes eróticas volto a dizer; não me aqueceram nem arrefeceram.

Contudo, tenho um enorme problema. Não consigo facilmente desistir dum livro, ainda não descobri se é por mera burrice ou algo mais. Tarde ou cedo, infelizmente, vou ter de o acabar. Deves estar-te a perguntar se acho-me um génio de escritora. Digo-te, de modo algum. Sou uma mera principiante ainda com um longo caminho por trilhar nestas andanças da escrita, porém sou uma óptima leitora e sei muito bem distinguir uma grande obra. Portanto, este livro é tudo, menos uma grande obra.Com efeito, deixa-me dizer-te, quando acabar de ler se porventura mudar de opinião, de modo algum vou-me coibir de vir cá reescrever este post e falar bem do livro.

Em última instância, considero a aquisição deste livro o meu pior investimento de 2014,isto é, em termos literários.



Katya Figueiredo