sexta-feira, 9 de maio de 2014

Eça de Queirós (Meu terceiro maior escritor)


O retorno

Eça de Queirós, nascido em 25 de Novembro de 1845 (Póvoa de Varzim), escritor e jornalista de profissão, cidadão português. Sendo um dos mais importantes escritores lusos, com grandes trabalhos a saber: Os Maias, O primo Basílio, O Crime do Padre Amaro, entre outros. Morre a 16 de Agosto de 1900 (Paris).

Eça de Queirós, com a sua capacidade inata e deslumbrante de descrever paisagens, o seu sentido de humor e metafórico a nível de escrita e uma linguagem estilizada, presenteia-nos em «O Retorno» cujo título original é «A Cidade e a Serra» com um digno romance. Este, transforma-se num casamento entre a cidade e a serra, deveras turbulento, que viveu anos e anos, a debater-se acabando mesmo por não resistir aos obstáculos a ele imposto, e inevitavelmente dá-se o divórcio, com o retorno de Jacinto a terra dos seus antepassados.

Nesta obra, o autor narra a história de dois amigos de infância, que cresceram e estudaram juntos. Depois prosseguiram os estudos em Paris. Porém ambos acabaram por viver vidas paradoxalmente distintas.

Zé Fernandes, por motivos familiares voltou para o Portugal mais concretamente para Tomes-Guiães. Pela serra ficou longos anos, vivendo uma vida tipicamente campestre, de fartura na simplicidade. Já Jacinto permaneceu na capital francesa levando uma vida de luxo, de progresso da civilização, perdido nas teorias do pessimismo de Shopenhauer, muita fartura, com tudo que o dinheiro pudesse comprar. Uma forma de viver digna de um príncipe, como Zé Fernandes se refere ao amigo «Meu príncipe». Mais apesar de tudo, não era uma pessoa feliz.

Depois de sete anos, Zé regressa para junto de Jacinto, em França surpreende-se ao aperceber-se que o conterrâneo, apesar de viver requintadamente, andava rodeado de apatia, depressão, futilidade, tristeza, podendo-se mesmo dizer: quanto mais tinha menos feliz ficava.

Certo dia ao amanhecer, qual não foi o espanto de Fernandes, quando o príncipe irrompeu porta dentro o seu quarto, comunicando-lhe que iria a Tomes resolver questões familiares. O companheiro de longa data, incrédulo, mais contente, incentivou-o logo a fazer a legendária viagem. E garantiu-lhe que o acompanhava sem a menor dúvida.

A princípio, andava meio relutante com medo de deixar seu principiado e aventurar-se pela serra. Mais com o passar do tempo foi digerindo melhor a ideia, e todas providências foram tomadas para garantir o conforto no campo.

E assim a dupla, atafulhados com malas e mais malas, e com mais dois empregados, fizeram-se ao comboio e partiram para Portugal fazendo rápidas paragens por Espanha. As coisas começaram por não correr como o esperado, e já o príncipe caía em desespero e Zé sempre optimista articulava maneiras de o animar.

Quando no destino pretendido a situação piorou, viram-se sem malas e sem os ajudantes. Apenas com a roupa de corpo e sem haveres. Nada de livros, nada de todas aquelas coisas luxuosas de Paris, e para mais, ninguém os esperava. Contavam com eles só no outono. Obrigatoriamente tiveram que pedir ajuda para chegar a serra. De cavalo e burro subiram o monte deliciando-se com o ar fresco do campo, a linda paisagem, a tranquilidade, o chilrear dos pássaros entre outras preciosidades que o campo oferece. Por momentos, as preocupações de outrora dissiparam-se no ar.

Depois de toda azáfama, já em casa, Jacinto estava convencido de ir para um Hotel de Lisboa no dia seguinte, e o amigo acreditou que assim o faria. Zé despediu-se do amigo e no dia a seguir partiu para Guiães. Telegrafou algumas vezes para o hotel mais nunca obteve resposta, mais tarde soube que o amigo permanecia na serra, encontrou-o e nem quis acreditar. Jacinto afinal nunca chegou a sair de lá, começou a gostar de viver de maneira simples e pensava por lá ficar muito tempo. Estava mudado alegre de bem com a vida, quem diria, de homem da cidade para homem do campo.

Pela serra voltou-se apaixonar, casou-se com uma mulher sublime, teve dois lindos filhos e por lá ficou, filosofando a cada árvore que lhe aparecesse à vista. Ainda assim, essa paixão não foi de todo deslumbrante, descobriu a pobreza até ali por ele desconhecida. Ficou deveras chocado mas nem isso o derrubou, decidiu agir, ajudando os mais carenciados.

Em última análise, esta obra mostra-nos como por vezes ter tão pouco também é ter muito. A maior parte das vezes, temos muito mais do que necessariamente precisamos. Infelizmente uma realidade de hoje, em que o consumismo tem vindo a superar as necessidades. Também centra-se na dificuldade de adaptação de alguém do campo para a cidade e vice- versa.
2010/11

Katya Figueiredo

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