domingo, 5 de outubro de 2014

O Esplendor da Rainha (pág 3)


Passados cinco meses e a perseguição persistia, perguntava a mim mesma o que ele queria de mim. Não dizia nada, só olhava e olhava. No fim de contas uma raiva tremenda começou a crescer em mim, deixei de responder aos seus olhares e, já não sorria para ele.
-Sabe ler e escrever? E se eu lhe ensinasse maneiras de branco!?
Está uma manhã fria de cacimbo7. Vamos para a outra vila, agora. Hoje vou conhecê-la, mas não me vou aproximar, o Francisco vai medi-la para mim. Será estranho ver-me com outra cor, outro cabelo, outros olhos, mas vai valer a pena porque o meu coração finalmente vai deixar de doer. Esta dor que vem do coração e atinge a minha cabeça e o meu corpo, não a posso mais suportar, o fardo é demasiado pesado.
A tia olha-me com desprezo faz um chocho8, cospe no chão e diz
-Desprezaste-a à nascença agora vais visitá-la?
Passados cinco meses e a perseguição persistia, questionava a mim mesma o que queria ele de mim!? Nada dizia, só olhava e olhava. No fim de contas uma raiva tremenda começou a crescer em mim, deixei de ir ao rio. Os dias pareciam ter morrido de tristeza juntamente com o meu coração. O ar me faltava quando a imagem dele escondido atrás dos arbustos invadia a minha mente, agora estou a vê-la meu Deus como é linda. Não pode ser obra dos homens, o Espírito Santo deve ter descido em mim. Aquela menina é minha filha!?
 
-Não pense que uma branca te irá chamar de mãe. Tem o cabelo liso e comprido até a cintura como as mulheres dos colonos.
Vejo o Francisco a tentar medi-la e não consegue. Creio que não o estão a deixar, agora tenho a certeza estão a correr com eles. Meu Deus, por que é que sinto que o meu coração se está a partir e nunca mais conseguirei juntar os pedaços para o compor? E eu a pensar que ao ver-te me iria livrar desta dor. Não posso mais viver, a tua imagem me irá perseguir para todo sempre. Agora sei que morri no dia em que te dei.
To be continued
Katya Figueiredo

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