quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O Esplendor da Rainha (pág 4)


Novembro de 1958

O que ela quer de mim depois de tudo? Como ousa agora procurar-me essa bailunda6 infeliz? A pensar que um dia amei-a tanto.

-O que eu sinto por ti, homem nenhum mais cativou em mim.

(estávamos no meio do mato enrolados como um só, e os pássaros que ali queriam pousar surpreendiam-se com os nossos gemidos e batiam assas desvairados pelo céu fora bem longe do nosso alcance. A minha língua procurava a tua que enrolava-se a minha e eu queria arrancá-la mas não conseguia e o corpo aquecia, apertava-te ainda com mais força mergulhando no teu cheiro a natureza, pouco depois, desfalecia no calor do teu peito igualmente o mundo ali falecia. Apresentava-se-me um novo mundo todo sorrisos ao qual tentava decifrar aos poucos)

um vulto aproxima-se da porta do escritório e informa-me que os criados da Maria estão no quintal para ver a Amélia, e uns lábios carnudos tocavam ao de leve nos meus, um corpo esguio de formato viola vira-se e roça-se provocador no meu, volto a virá-lo observo-a do pescoço para baixo e penso como ela é toda mama, não resisto e deixo-me levar pela pele sedosa, dizem trazer uma corda para medi-la

como se a criança fosse gado

os olhos dela suplicam-me para tomá-la ali mesmo no escurinho do canto da despensa da minha mãe, que reduz-se na figura estática da minha empregada especada à porta aguardando uma reacção da minha parte

- O que eu sinto por ti, homem nenhum mais cativou em mim

com receio que aparecesse alguém e descobrisse que ela estava a aprender muito mais do que ler e escrever, e lhe estragasse a oportunidade de mais uma vez atingir o clímax à custa do meu amor

-Ama-me agora meu anjo português

continua especada à porta, mas agora sem jeito, leva as mãos à cabeça, à cintura não sabe mais o que fazer se espera que eu diga algo ou manda-os embora, a Maria a arregaçar os panos e exibir as ancas para mim sem o menor pudor, a empurrar meia dúzia de enlatados para o chão sentar-se na prateleira e puxar-me para junto dela, eu a não me conseguir conter mais, a beijá-la selvaticamente acariciei-lhe o sexo ela gemeu forte e amei-a desenfreadamente
To be continued
Katya Figueiredo

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